Um Sucesso chamado Nana

 Os êxitos de vendas do mangá Nana começaram a tornar a autora Ai Yazawa famosa no Brasil. Não há como ignorar ? pelo menos não dentro da comunidade de fãs ? uma série que permanece três semanas no topo da lista dos dez mangás mais vendidos da Tohan. Depois vieram os filmes live action, que foram muito bem nos cinemas japoneses. Em abril de 2006 veio a série animada que se mantém fiel ao estilo de Ai Yazawa, e ajudou ainda mais na propaganda dos trabalhos da autora.
 
Princess-Ai é de Yazawa?
"Sim e não" seria a minha resposta. O mangá baseado na vida de Courtney Love, a roqueira e viúva de Kurt Cobain, é uma produção nipo-americana. Há dinheiro da Tokyopop, uma das mais poderosas editoras norte-americanas, e da editora japonesa Shinshokan. Courtney Love divide o roteiro com D.J. Milky, a arte do mangá é de Misaho Kujiradou. Então onde entra Ai Yazawa?

A autora de Nana fez o character design original do mangá. A aparência das personagens foi obra de Yazawa. A autora é fã confessa de Courtney Love e só por coincidência, as duas trazem "amor" (Ai = Love) no nome. O envolvimento de Ai Yazawa não foi muito, além disso, ao que parece, mas a influência de seu estilo se faz sentir no traço de Kujiradou, um dos grandes trunfos da série.

Breve biografia e obras
Ai Yazawa nasceu em 7 de março de 1967 em Osaka e desde a infância se mostrou apaixonada por desenho. Tanto é verdade, que bem jovem, com somente treze anos, ganhou a categoria C ? estreante ? de um concurso promovido pela Editora Shueisha. Esta editora se tornaria no futuro o porto seguro para os trabalhos da autora. Não sem antes lutar muito, como a própria autora disse em uma entrevista, ela teve que entrar na fila várias vezes, sem esmorecer, até que seus trabalhos fossem aceitos.

De acordo com Yazawa, suas maiores referências vieram de autoras como Fusako Kuramochi, Ogura Fuyumi e Yukari Takahashi. Todas as autoras que estrearam na Ribon em meados dos anos 70, se consolidaram nos anos 80. Dentre elas a mais famosa é Fusako Kuramochi, ganhadora do 20º Kodansha Award categoria shoujo, e autora de Itsumo Poketto ni Shopan (Ela sempre tem Chopin no seu bolso), considerado um dos melhores mangás femininos de todos os tempos. Nenhuma delas foi publicada no Ocidente, Kuramochi e Ogura fazem josei ? mangás para mulheres adultas ? nos dias de hoje.  Em comum, elas têm um traço mais realista e elegante. Parece realmente que nesse quesito influenciaram Yazawa.

Um ingrediente que ajuda a compor o estilo Ai Yazawa é sua paixão pela moda. A autora chegou inclusive a iniciar o curso superior de desenho de moda quando terminou o ensino médio. Digo começou, pois ela abandonou o curso. Falta de competência? De forma nenhuma! Basta pegar qualquer mangá da autora, e em especial Paradise Kiss, para entender que o bom gosto e criatividade de Yazawa são uma mostra do seu talento. Simplesmente sua vocação não estava lá. Os fãs dos mangás de Yazawa agradecem.

Apesar de ter estreado oficialmente em 1985, Ai Yazawa só ganhou maior atenção do grande público nos anos 90, com a publicação na Ribon, onde publicou por muitos anos o mangá Tenshi nanka ja nai (1992-1994) que pode ser traduzido como "Eu não sou um anjo". Foi o seu primeiro mangá longo, contando 8 volumes e foi transformado em OAV em 1994.

A consagração veio com Gokinjo Monogatari (1995-1997), que foi transformada em série animada de TV, tendo também um movie. Gokinjo é outra série centrada no dia-a-dia de amigos de colégio que são vizinhos desde a infância.  A série tem uma boa mescla de drama e comédia, com o mérito de ter um universo próprio que irá marcar outras obras de Yazawa.  Com 7 volumes, a obra foi um grande sucesso, mas a carreira de Yazawa começou a se direcionar para um público mais velho. Assim, depois, de publicar "Kagen no Tsuki" (1998-1999), onde já mostrava um tratamento de conteúdo muito maduro para os padrões da Ribon, Ai Yazawa partiu para novos vôos. Kagen no Tsuki é uma história que mistura drama e mistério. Foi a primeira obra de Yazawa a se tornar live action em 2004.

Um Sucesso chamado Nana
Em 1999, Yazawa começou a publicar dois dos seus mangás mais conhecidos: Nana, na revista Cookie da Shueisha, e Paradise Kiss, da revista Zipper, da editora Shodensha. Paradise Kiss, ou Para Kiss, como também é conhecido, tinha publicação mensal e durou até 2003, sendo encadernado em 5 volumes e ganhando um anime em 2005 com 12 episódios. Já Nana, continua sendo publicado todos os meses até hoje e não sinaliza que vá terminar tão cedo.

Falando um pouco de Nana, agora. Afinal, esse é o maior sucesso de Ai Yazawa e muitos fãs brasileiros sonham em ter a obra publicada em nossa língua.  A história de Nana fala de duas moças, Nana "Hachi" Komatsu e Nana Oosaki que são diferentes na aparência, no caráter e na forma como encaram a vida.  Cada uma, por motivos diferentes, decide se mudar para Tokyo.  Trabalho, amor, não importa, as duas se encontram e terminam dividindo um apartamento.

O mangá começa com um flashback mostrando a vida de ambas antes de chegarem a Tokyo, e funciona como uma espécie de capítulo 0 da história.  Assim, a contagem dos capítulos de Nana começa do volume 2. Até o volume 7, Nana tem como subtítulo "Dreamy & Hopeful life in Tokyo", a partir daí passa a ter como chamada "To the dream to you".

Nana Komatsu é uma adolescente que está se formando no ensino médio. Sonhadora e insegura, ela sempre se apaixona por homens mais velhos e sofre decepções amorosas. Como se trata de um mangá maduro, as questões afetivas e sexuais ficam bem explícitas, isto é, nossa Nana faz tudo por amor, ou aquilo que acredita ser amor, e sempre se dá mal.  A protagonista tem uma melhor amiga que se chama Junko Saotome e que, ao contrário dela, é equilibrada e madura. Nana acaba se apaixonando de novo, desta vez por Shoji, amigo de infância de Junko. Quando o rapaz passa para a faculdade, e se muda para Tóquio, Nana, que não foi aprovada, junta suas forças e, depois de um tempo, vai atrás dele.

A outra Nana tem por sobrenome Oosaki e é destemida, independente e, um pouco maliciosa. Sua vida foi cheia de problemas: criada pela avó porque foi abandonada pela mãe, não terminou o colegial porque decidiu se entregar ao sonho de ser cantora. É vocalista do grupo Blast, abreviatura de "Black Stones", e é por causa deste ideal que ela vai para Tóquio. Nana Oozaki gosta de provocar a outra Nana, a quem chama de Hachi. Não entendeu a piada?  "Nana" é sete em japonês, "hachi" é oito.

A série Nana teve um primeiro filme live action para o cinema em 2005 estrelado por Mika Nakashima e Aoi Miyazaki com continuação em2006.  Apesar da protagonista Aoi Miyazaki ter se recusado a fazer a continuação, a substituta, Yui Ichakawa, não fez feio e o filme foi um sucesso. Fora isso, teve uma série animada com 47 episódios que foi exibida de abril de 2006 até março de 2007. Como o sucesso de Nana é enorme, e o mangá ainda está em andamento, não seria surpresa mais um live action, um dorama ou mais material animado.

Em 12 de março saiu no Japão a primeira reedição de Nana, agora em formato wideban e na coleção Shueisha Girls Remix. O formato é B6 (13,5 x 18 cm), com 324 páginas e ao custo de 400 ienes. O plus da coisa, além do tamanho são páginas coloridas, imagens extras e informações sobre a revista Cookie e outros títulos da coleção.

Houve uma polêmica envolvendo o mangá de Nana no Japão, pois grupos antitabagistas argumentam que a série estimula o fumo entre jovens e adolescentes.  Pode até ser que alguém tenha se tornado fumante por causa da elegante Nana Oozaki, mas não acredito que o objetivo de Yazawa seja esse.  Apesar das críticas, a série vai muito bem e já é publicada nos EUA, na Itália, na Espanha e muitos outros países - inclusive o Brasil.

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